O homem que tinha boa memória
16/04/2016 10:46- Hoje aconteceu-me uma coisa muito interessante, Gustavo. Fui à farmácia comprar um remédio. Ao balcão, a mocinha, uma loirinha simpática, que me atendeu, perguntou-me o que eu desejava. Pensei em dizer-lhe o que, naquele momento, eu desejava, mas, como eu sou um cavalheiro, disse-lhe eu que eu desejava um remédio. E ela perguntou-me: “Qual remédio?”. “Qual remédio!?”, indaguei-lhe, no meu tom de voz habitual, mais para mim do que para ela. “É um comprimido”, disse-lhe eu, gracejando, tentando lembrar-me o nome do maldito remédio. E a loirinha perguntou-me, com aqueles olhos tão doces a olharem-me: “O senhor pode ser mais específico?”. Aquela loirinha era uma gracinha ao falar específico. Nunca vi uma mulher falar específico com tanta graça. E disse-lhe eu: “Posso. O nome do remédio começa com a letra R”. A loirinha sorriu, e perguntou-me: “O senhor pode ser mais específico?”. Que graça ela falar específico! “Mais específico do que estou sendo, impossível”, respondi-lhe, e ela sorriu. E eu, que havia me esquecido o nome do maldito remédio, disse à loirinha que eu iria telefonar para a minha esposa. E a loirinha, a educação e a simpatia em pessoa, esperou-me, pacientemente, completar a conversa com a Samantha, e dizer-lhe à ela, a loirinha que me atendeu, o nome do remédio. Disse-lho eu, e desliguei o telefone. E a loirinha providenciou-me o remédio, e paguei por ele, no caixa, e retirei-me da farmácia, e fui para casa o mais rápido que pude, e entreguei o remédio para a Samantha - e após uma curta pausa, para beber da cerveja, prosseguiu: - Sabe o que mais me chamou a atenção nesta história, Gustavo? A minha boa memória. Quando, ao telefone, a Samantha disse-me o nome do remédio que ela me pedira que eu lho comprasse, dele lembrei-me de imediato. Incrível, não? Que boa memória a minha!
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