Carta 11
28/06/2016 16:28Brasília, [data]
Ao
Senhor Carlos Roberto de Souza Almeida Vargas.
Prezado senhor,
Por meio desta, o Banco vos informa:
Em decorrência da elevação dos casos de clonagens de cartões, violações de contas correntes e cadernetas de poupança, seqüestros relâmpagos e seqüestros, o Banco solicitou ao Governo Federal autorização para intensificar o rigor do sistema de segurança bancária, para melhor atender os seus correntistas. Tendo em vista o atraso, compreensível e admissível, da implantação do novo sistema de segurança bancária nacional, é imprescindível a captação de recursos além dos originalmente considerados. Lançando mão de expedientes legais, para melhor atender aos seus correntistas, o Banco, autorizado pelo Governo Federal, irá solicitar-lhes, a partir de [data], a apresentação dos originais do RG e do CPF aos quais anexarão as respectivas cópias autenticadas (duas), no momento da efetivação de operações bancárias de quaisquer espécies, no terminal eletrônico, no caixa e em quaisquer estabelecimentos comerciais autorizados. As duas cópias autenticadas serão protocoladas, na boca do caixa, pelo caixa, e, no terminal eletrônico, por um funcionário que ficará à disposição dos correntistas, e, nos estabelecimentos comerciais autorizados, milhares deles em todo o território nacional, por um funcionário indicado pelo estabelecimento, contratado, exclusivamente, para exercer esta imprescindível tarefa, uma das que compõem o conjunto de medidas que visam a melhoria do atendimento aos correntistas.
Os empresários, o Banco vos informa, esbravejaram e hostilizaram o Governo Federal, exibindo a ganância, a insensibilidade, a irresponsabilidade social e o descompromisso com o bem-estar e a segurança do povo brasileiro que os inspiram. O Governo Federal, no seu esforço de melhorar a vida do povo brasileiro, dissuadiu os empresários relutantes de rejeitarem as medidas que propõem o melhor atendimento dos bancos aos correntistas ao oferecer-lhes empréstimos para os investimentos na instalação do novo sistema de segurança bancária, inviolável, de tecnologia exclusivamente nacional, desenvolvida por brasileiros treinados pelo Governo Federal. Diante da generosa oferta do Governo Federal, os empresários relutantes abandonaram a intransigência injustificada e abraçaram a causa defendida por bancos, cartórios e representantes das leis, todos eles patriotas compromissados com o bem-estar dos brasileiros.
Damos um passo para a frente. Avançamos para o futuro antevisto pelo Governo Federal, visionário e profético.
O funcionário que vos atender, senhor Carlos Roberto de Souza Almeida Vargas, no momento da efetivação de quaisquer operações bancárias, protocolará as duas cópias autenticadas do RG e as duas cópias autenticadas do CPF (as cópias do RG e as do CPF deverão vir em folhas separadas), conservará uma com o Banco, e a outra ele vos entregará, cópia esta que o senhor deverás conservar convosco pelo período de cinco anos, para a vossa segurança.
Sabemos que o Brasil é, com freqüência preocupante, acossado por tragédias naturais imprevisíveis e, não é incomum, alvejado por raios, os quais têm alto poder de destruição e danificam, em muitos casos irreversivelmente, a estrutura energética nacional, desde as hidrelétricas, passando pelas redes de distribuição de energia, até o seu destino, a casa dos brasileiros, causando, sabemos, transtornos para os trabalhadores nacionais e as suas famílias; os estragos, em muitos casos, são tão numerosos e tão vastos, que o Governo Federal, mesmo com o emprego da sua gigantesca estrutura, do tamanho do Brasil, gigante por natureza, não corrige, em tempo hábil, para evitar transtornos e dissabores aos brasileiros, os danos, ou, então, ao consertar uma parte do que foi danificado, uma catástrofe natural avassaladora, ou uma sequência demolidora de raios nos dias tempestuosos - que tem recrudescido, em decorrência do aquecimento global, fenômeno cataclísmico minuciosamente documentado que culminará na destruição da Terra, se as medidas inadiáveis para evitar o apocalipse não forem implementadas por todas as nações do globo, sob ditames de leis internacionais e a égide de órgãos de abrangência global às quais todas as nações devem respeito, principalmente o Brasil, que é o detentor da maior rede de produção de energia limpa (as hidrelétricas) e da maior floresta tropical do planeta (o pulmão vital da mãe Gaia, a nossa mãe) -, ou uma saraivada de ventos devastadores, anula os esforços empreendidos pelo Governo Federal ao danificar o que foi recuperado, impedindo que se recupere o que foi danificado, danificando-o ainda mais. As conseqüências são conhecidas. O Brasil passou por contratempos similares, nos anos recentes, e outros contratempos não estão fora de cogitação. Devido à tais problemas, se faz necessária, por precaução, a conservação de cópias autenticadas protocoladas de todas as operações bancárias que o senhor, senhor Carlos Roberto de Souza Almeida Vargas, vier a efetivar, para a vossa segurança e para que melhor o Banco possa atendê-lo.
O senhor, senhor Carlos Roberto de Souza Almeida Vargas, assististe aos noticiários deste mês (se não assististe, o Governo Federal vos indica os noticiários A, B, C, respectivamente, das emissoras de televisão, D, E, F, e as revistas G, H, e os programas jornalísticos F, I, respectivamente, das rádios J, Y, e os sites W, Z, X, todos fontes confiáveis de informações selecionadas pelo Governo Federal, para que o senhor não despendas tempo precioso de vossa vida à procura de fontes de notícia, e possas aproveitá-la de forma produtiva, trabalhando e estudando, para fazer do Brasil, o país do futuro, gigante pela própria natureza, um país grande, e tornar o futuro presente, para gáudio dos brasileiros e inveja dos estrangeiros), e tomastes conhecimento das tragédias que se abateram sobre o Brasil, provocando devastações. O Governo Federal, com a presteza que lhe é peculiar, mensurou o custo da recuperação de toda a malha energética danificada e o da recuperação do sistema nacional de segurança bancária. Não é do agrado do Governo Federal ter de solicitar aos trabalhadores nacionais a adição de R$ 10,00 à contribuição mensal que generosamente investem, no projeto do Instituto Nacional de Polícia Especializada em Sistema de Segurança Bancária do Sistema Bancário Nacional, para a conservação da paz e da ordem, mas, em decorrência da elevação do custo, decorrente de catástrofes naturais, imprevisíveis e indomáveis, do projeto de segurança bancária - projeto inédito no mundo, de causar inveja aos estrangeiros -, se viu na obrigação de lhos solicitar, e avisa que os debitará, mensalmente, das contas correntes, no primeiro dia útil do mês.
Certo da vossa compreensão e colaboração, o Banco despede-se.
De
Gerente Personalizado
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